O Problema das Avaliações Bancárias em Portugal
Para muitos compradores, a maior surpresa do processo acontece depois do CPCV — quando chega o resultado da avaliação bancária.
É nessa altura que descobrem uma realidade pouco intuitiva: o banco não financia automaticamente o preço acordado entre comprador e vendedor.
O banco financia com base no valor que considera ser o valor real do imóvel.
E esses dois números nem sempre coincidem.
Quando a avaliação fica abaixo do preço de compra, surge um dos problemas mais comuns do mercado imobiliário português: o comprador precisa de entrar com mais capitais próprios para conseguir concluir o negócio.
Por exemplo:
preço de compra: 300.000€
avaliação bancária: 270.000€
Mesmo que o banco financie 90%, esse financiamento será normalmente calculado sobre os 270.000€ — e não sobre o valor acordado entre as partes.
A diferença terá de ser suportada diretamente pelo comprador.
Muitas pessoas só descobrem isto demasiado tarde.
Durante anos de mercado mais acelerado, tornou-se relativamente comum ver compradores aceitarem pagar acima do valor que o banco estaria disposto a reconhecer como garantia.
Hoje, com compradores mais cautelosos e bancos mais conservadores, esta questão ganhou ainda maior importância.
Existem vários fatores que podem influenciar negativamente uma avaliação:
preço acima da média da zona;
falta de vendas comparáveis recentes;
necessidade de obras;
localização menos valorizada;
áreas irregulares;
estado geral do imóvel;
baixa liquidez do mercado local.
Mas existe também outro problema: muitos compradores confundem:
valor de mercado;
com
valor emocional.
O facto de existir forte interesse num imóvel não significa necessariamente que o banco irá concordar com o preço negociado.
Os bancos analisam sobretudo:
risco;
liquidez;
comparáveis;
e capacidade futura de recuperação do capital financiado.
Para vendedores, isto cria um desafio importante: um imóvel pode receber proposta ao preço pedido e mesmo assim o negócio ficar bloqueado pela avaliação.
Para compradores, cria outro: a necessidade de manter margem financeira além da entrada inicialmente prevista.
É por isso que a preparação financeira continua a ser tão importante.
Porque no mercado imobiliário, o negócio só está realmente concluído quando:
comprador;
vendedor;
e banco;
concordam sobre o valor do imóvel.
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