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O Problema de Basear o Preço da Venda Apenas nos Portais Imobiliários

Quando um proprietário decide vender casa, uma das primeiras coisas que costuma fazer é simples: abrir um portal imobiliário e procurar imóveis semelhantes na zona.

À primeira vista, parece uma forma lógica de perceber quanto vale a propriedade.

O problema é que os portais mostram apenas uma parte da realidade: os preços pedidos.

Não mostram:

  • quanto os imóveis realmente venderam;

  • quanto tempo estiveram no mercado;

  • quanto baixaram até à venda;

  • nem quantos nunca chegaram sequer a ser vendidos.

E essa diferença é extremamente importante.

Muitos vendedores acabam por definir o preço da sua casa com base em anúncios já sobrevalorizados, criando um efeito em cadeia onde:

  • cada proprietário tenta pedir um pouco mais;

  • porque viu outro anúncio semelhante ainda mais caro.

Mas anúncios não representam transações concluídas.

Representam expectativas.

Na prática, o mercado reage aos valores que os compradores estão efetivamente dispostos — e conseguem — pagar.

Existe também outro problema: dois imóveis aparentemente semelhantes podem ter diferenças enormes em termos de:

  • localização exata;

  • exposição solar;

  • estado geral;

  • estacionamento;

  • eficiência energética;

  • qualidade da construção;

  • andar;

  • vista;

  • ruído;

  • necessidade de obras;

  • ou liquidez da zona.

Nos portais, muitas destas diferenças ficam parcialmente invisíveis.

Outro erro frequente é assumir que:

“se os outros estão a pedir este valor, eu também consigo.”

Mas muitos desses imóveis:

  • estão há meses no mercado;

  • recebem poucas visitas;

  • acumulam reduções de preço;

  • ou acabam vendidos abaixo do valor inicialmente anunciado.

O problema é que os portais criam frequentemente uma perceção artificial de mercado.

Mostram sobretudo:

  • aquilo que ainda não vendeu.

Os imóveis corretamente posicionados tendem muitas vezes a desaparecer rapidamente — enquanto os sobrevalorizados permanecem visíveis durante meses.

Isso distorce completamente a perceção de valor.

Definir preço com rigor exige muito mais do que comparar anúncios online.

Exige perceber:

  • comportamento real do mercado;

  • liquidez;

  • procura ativa;

  • histórico de vendas;

  • concorrência direta;

  • e reação provável dos compradores ao imóvel específico.

Porque no imobiliário, aquilo que aparece online nem sempre corresponde à realidade da venda.

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